Quidam é uma ótima oportunidade para quem deseja assistir um excelente e mega espetáculo sem precisar viajar para fora do Brasil. Não significa que Porto Alegre não receba ou não produza excelentes espetáculos. Mas não há nada que possamos comparar à força e relevância do Cirque do Soleil no mundo do entretenimento. Acho que isso nem é discutível. São números e bem exatos.

A montagem reúne todas as qualidades que fazem a fama do Cirque: técnica de primeiro mundo, linda e festiva maquiagem, rico figurino, detalhado cenário e intensa trilha sonora (executada ao vivo). Tudo é extremamente bem cuidado, pensado e ensaiado.

Criado em 1996, Quidam tem a assinatura de um dos diretores artísticos mais recorrentes na história do Soleil: Franco Dragone, que atualmente trabalhou com Britney Spears na turnê de Circus e no show da Celine Dion em Las Vegas. Dragone, junto de Guy Laliberté, é um dos responsáveis pela criação do “Novo Circo”. Shows muito teatrais com números costurados por dramaticidade e que se esquivam da presença de animais na arena.

O espetáculo parte da imaginação de uma menina, a Zoé, que está triste e solitária. Uma criança cansada de sua vida. Ela quer emoção e diversão, mas é ignorada por seus pais, que levitam alienados, desafiando a gravidade assim como seus parceiros de cena. O cenário escuro toma formas mais reluzentes quando a menina recebe a visita de um misterioso. É Quidam, o transeunte anônimo, um homem grande e sem cabeça, que chega com trovoadas e chuva, carregando um chapéu cheio de fantasia. Zoé é guiada para um universo fantástico. Um lugar fascinante e assustador ao mesmo tempo, assim como nos sonhos e pesadelos.

Não é um enredo familiar? O tom melancólico e onírico. Uma jovem descobrindo o mundo estranho. A história remete às jornadas de personagens como Alice e Dorothy dos clássicos “Alice no País das Maravilhas” e “O Mágico de Oz”. Talvez essa é a característica que faz de Quidam o espetáculo mais teatral do Cirque. É certamente a que faz dele meu show predileto.

Além das inovações, do planejamento e de toda poesia, o Cirque é (tcharan!) um circo! Uma enorme lona que abriga números com palhaços, acrobatas, equilibristas e malabaristas que deixam qualquer um de boca aberta. Destaque para a Aerial Contortion In Silk, onde a acrobata Oksana Pylypchuk realiza paradas impressionantes do alto, criando delicadas formas com o corpo e tomada por uma dramaticidade que cria um forte vínculo com o tecido vermelho. Nos emociona a cada movimento.

Outro número incrível conta com a flexibilidade de Olga Pikhienko (acima), uma acrobata brilhante que está no elenco do Cirque desde 94, quando tinha apenas 14 anos e já havia conquistado o status de uma das mais importantes e premiadas ginastas do mundo. Por anos ela foi a grande estrela de Quidam e se ausentou do espetáculo em 2001 para protagonizar Varekai, a próxima montagem que a companhia canadense trará ao Brasil. Nessa época, Olga protagonizou o documentário Fire Within, outra produção do Soleil que ganhou o prêmio Emmy em 2003. Para nossa sorte ela retornou ao espetáculo. Então é possível conferir toda sua mobilidade e maestria na parada de mão. Eu mal pude acreditar que eu estava tão próximo de uma artista como Olga.

Quidam é a excelência absoluta do Cirque du Soleil. Um espetáculo com profissionais de técnica impressionante, alto nível de perfeccionismo, qualidade de trama surrealista e personagens humanos e de fáciil identificação. Não deixe de ir. Quando as luzes se acendem a sensação que se tem é que o sonho vale o ingresso.

Mais informações sobre a temporada em Porto Alegre aqui.
Para ver mais foto do espetáculo acesse.

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